FOLHA EM BRANCO

                                                

Aqui estou, deparada com uma folha em branco e ameaçadora esperando que eu a manche com
a tinta preta de minha caneta.
A observo sem pressa, apesar de correr contra o tempo, em minha frente à brancura de um papel que já teve vida,
que fez parte de um cenário e contribuiu para a vida.
dentro de mim uma cápsula protetora e obscura de sentimentos, uma total falta de respostas, crime, culpa,
castigo, amor e ódio…
e a folha continua insistente esperando por esses turbilhões de sentimentos sejam expressos nela.
Folha expositória, julgadora, amiga, analista…Folha com  o poder de exprimir o que há de melhor, e o que há de
pior em mim.
Sinto-me ameaçada, fraca, sozinha e desprotegida, invadida e desapropriada.
Perco-me nos meus medos, a tortura e pressão começa a fazer diferença, começo a entender que a folha em
branco não só queria ser marcada de tinta de caneta simples, mas também ser confidente de tudo aquilo que não
poderia lançar fora ou compartilhar com mais ninguém.
Ela continuava ali, estática, inerte e passiva, esperando uma decisão, atitude, coragem para não adiar a dor que
escondia no fundo da alma. era uma dificuldade fora de série se tomar decisão, o que é a vida senão a busca de
um sonho.
Rendi-me totalmente aquela folha em branco, deixei meus temores, anseios, desejos.
Peguei minha caneta sem nenhuma ambição, sem nenhum orgulho, sem saber ao certo se deveria me expor àquela folha.
Comecei a rascunhar meus sentimentos e à medida que rascunhava mais sentimentos apareciam. Pensei se minha vida
era toda um rascunho, ou se tinha feito um rascunho de vida, a dúvida então levantava esta questão.
Onde está a borracha e o mata-borrão?
Continuava rascunhando e muito mais sentimentos surgiam.
A folha me cobrava muito mais capricho. Comecei a analisar os meus sentimentos e o que era obscuro começava a
clarear, a minha caneta já não estava tão pesada, mas começava a deslizar, da borracha já não fazia mais questão…
Comecei a detalhar, observar calmamente cada partícula de sentimento. Analisei o amor e o ódio duas potências
muito fortes, o perdão e paciência uma contradição, fiz calar e sossegar minh’alma, e na imensidão de silêncio em
frente à folha em branco, onde não havia mais o ontem, nem o amanhã, somente o agora, onde não havia mais você,
somente eu, onde não havia mais eu, somente a folha em branco, e ela venceu.
 
 
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